Procurei Por Ti Quando Deixei de Te Ver, Ao Encontrar-te Deixei Que Desaparecesses

Posted in Uncategorized by maxfernandes on November 10, 2009

Este vídeo tem um carácter experimental. O início de todo este processo partiu da pergunta – Qual é a cor do meio (vídeo)? – O processo para o descobrir foi seguir um método científico que consistia em repetir o mesmo gesto até chegar a uma conclusão qualquer, como uma descoberta. No entanto, a certa altura essa posição científica deixou de me interessar. Os resultados transformaram-se em algo inesperado e desconhecido.

Este trabalho começa com uma definição clara das fronteiras entre o elemento de captação (a câmara de filmar, também produtor) e o elemento de reprodução de imagens (televisor ou monitor).

Neste trabalho o vídeo não utiliza imagens em movimento. Neste vídeo o que é em movimento é algo reimagenante. Estes elementos constituídos por reimagenâncias estão para a imagem como ressonância está para o som. A lógica de desenvolver este neologismo está longe de uma procura de uma teoria sobre algo que não seja imagem. O propósito deste neologismo é permitir desenvolver novas experiências no vídeo.

O desenvolvimento tecnológico no campo da imagem tem sido fulgurante. Melhores máquinas de captação e melhores máquinas de reprodução. Neste trabalho foi permitido a estes dois elementos comunicarem. Um reproduz, e o outro capta o que o primeiro reproduziu. Este processo é feito centenas de vezes e aquilo que foi reproduzido inicialmente desenvolve-se noutra coisa.

A lógica de trabalhar com estes dois elementos (reprodutor, e produtor) é simples. Ambos usam o mesmo código. A imagem captada inicialmente é transformada em “0s” e “1s”, depois de se tornar neste código a imagem – inicial – passa por um canal até ao monitor e, este reproduz algo. Todo este processo é controlado se ele terminar na reprodução… Com os instrumentos digitais, os elementos reimagenantes não se acumulam de captação em captação, como num possível processo analógico, eles transformam-se.

Este sistema não é carente de imagens do real, posso até nunca utilizar captações directas do real. Posso trabalhar num complexo de reimagenâncias para sempre. No entanto, o vídeo que apresento não é um resultado ilustrativo do processo explicado anteriormente. Todo o processo é transformado apenas em argumento para um vídeo que depois do processo se transformou numa narrativa com uma série de paisagens.

A colaboração dos Tropa Macaca (Joana e André) com as músicas “Primeira Jorna” e “Segunda Jorna” foi fundamental para que este vídeo desenvolvesse corpo, além disso, o processo de criação das músicas tem afinidades com o vídeo. A ligação que faço é a de percorrer um espaço onde existem transformações sucessivas sem um fim. Importa referir que tanto o vídeo, como o som foram elaborados independentemente, tendo sido posteriormente sincronizados.

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